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Iniquidade

“Eis que o Senhor preparou com cuidado tudo para nós.”

Na liturgia deste domingo, somos colocados diante da imagem de uma vinha. O profeta Isaías nos apresenta Deus como aquele que prepara sua vinha com todo cuidado: escolhe uma terra fértil, remove as pedras, planta uma videira preciosa, constrói uma torre e prepara tudo para que ela produza bons frutos.

Que frutos estamos produzindo?
A leitura continua; a iniquidade.

O que é a iniquidade?
A palavra iniquidade não significa simplesmente cometer um erro.
O erro pode acontecer por fraqueza, ignorância ou falta de atenção. A iniquidade, porém, aponta para algo mais profundo: uma disposição persistente para o mal, uma escolha consciente de agir contra aquilo que sabemos ser justo e bom.

É quando a pessoa conhece o caminho do bem, mas decide seguir outro caminho.

É o uso da liberdade para escolher o mal mesmo conhecendo o bem.

Por isso, a iniquidade revela uma ruptura interior.

E aqui está o drama do livre-arbítrio.

Deus nos criou livres. E a liberdade é um grande dom. Mas toda liberdade traz consigo uma responsabilidade: aquilo que escolhemos produz frutos.

Podemos plantar justiça ou injustiça.
Podemos plantar verdade ou mentira.
Podemos plantar perdão ou ressentimento.
Podemos plantar caridade ou egoísmo.
Podemos plantar santidade ou iniquidade.

A vinha é nossa vida.

E os frutos revelam o que estamos cultivando dentro dela.

Talvez seja necessário parar diante dessa palavra e olhar para dentro de nós mesmos.

“Eis a iniquidade.”

Ela aparece quando transformamos o pecado em hábito.

Quando deixamos de lutar contra aquilo que sabemos que nos afasta de Deus.

Quando começamos a chamar de normal aquilo que deveria nos causar arrependimento.

Por isso a Palavra de Deus nos chama à conversão.

São Paulo nos oferece, na segunda leitura, um caminho muito concreto: “irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor.”

A santidade passa também pelas pequenas escolhas de cada dia.

No Eco da Palavra, buscamos refletir sobre os detalhes das leituras diárias que podem passar despercebidos nas homilias. Cada versículo tem uma riqueza infinita, e aqui, ecoamos essas pequenas grandes revelações para alimentar a fé e aprofundar a vivência da Palavra de Deus no dia a dia.