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quanto mais agora

Quanto mais agora

Existe uma expressão na segunda leitura da liturgia do 11º Domingo do Tempo Comum, que merece nossa atenção: “quanto mais agora”.

São Paulo escreve aos Romanos: “Com muito maior razão, agora, que já estamos justificados pelo sangue de Cristo, seremos salvos da ira por ele. Quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte de seu Filho; quanto mais agora, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida.” (Rm 5,9-10)

A lógica de Deus é diferente da nossa. Muitas vezes pensamos que precisamos merecer o amor divino para só depois recebê-lo. Porém, a Palavra nos mostra exatamente o contrário: Deus nos amou primeiro.

Quando ainda éramos pecadores, quando estávamos distantes, quando caminhávamos como inimigos, Cristo entregou sua vida por nós. O amor de Deus não começou quando nos aproximamos dele. Foi esse amor que nos permitiu aproximar-nos.

Por isso São Paulo nos convida a contemplar essa verdade: se Deus já nos amava quando estávamos longe, quanto mais agora que buscamos sua presença? Se Cristo derramou seu sangue por nós quando ainda não o conhecíamos, quanto mais agora que desejamos viver como seus filhos? Se fomos reconciliados quando estávamos perdidos, quanto mais agora que procuramos agradar ao Pai?

Essa mesma lógica aparece no Evangelho. Jesus olha para a multidão e vê pessoas cansadas e abatidas, “como ovelhas sem pastor” (Mt 9,36). Seu primeiro movimento não é de condenação, mas de compaixão. Em seguida, envia seus discípulos em missão para que levem aos outros o mesmo amor que receberam.

O missionário não anuncia uma teoria. Ele testemunha uma experiência. Foi amado e, por isso, anuncia o amor. Foi alcançado pela misericórdia e, por isso, leva misericórdia.

Mas existe um detalhe importante: Deus não quer apenas que saibamos que somos amados. Ele deseja que aprendamos a amar. E a melhor forma de aprender a amar é amando.

Não aprendemos a caridade apenas lendo sobre ela. Não aprendemos a paciência apenas refletindo sobre ela. Aprendemos vivendo, servindo, perdoando, acolhendo, caminhando junto dos irmãos. É na convivência diária, com suas alegrias e desafios, que o amor cristão deixa de ser uma ideia e se torna uma realidade.

A missão que Jesus confia aos discípulos continua sendo confiada a nós. Somos enviados para tornar visível o amor que primeiro recebemos.

Quando surgirem as dúvidas sobre nosso valor diante de Deus, recordemos as palavras do apóstolo: se Ele já nos amava quando éramos inimigos, quanto mais agora que, mesmo com nossas fraquezas, buscamos ser seus filhos e viver segundo sua vontade.

O amor de Deus não diminuiu. Pelo contrário. A cada passo que damos em sua direção, descobrimos que Ele já estava caminhando ao nosso encontro.

No Eco da Palavra, buscamos refletir sobre os detalhes das leituras diárias que podem passar despercebidos nas homilias. Cada versículo tem uma riqueza infinita, e aqui, ecoamos essas pequenas grandes revelações para alimentar a fé e aprofundar a vivência da Palavra de Deus no dia a dia.