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quem dizes que eu sou

Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?

Na Solenidade de São Pedro e São Paulo, a liturgia nos conduz a uma pergunta que continua ecoando através dos séculos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” (Mt 16,13)

É interessante notar onde Jesus faz essa pergunta. Ele conduz os discípulos até Cesareia de Filipe, uma região marcada pelo paganismo. Ali havia um antigo centro de culto ao deus Pã. Na grande gruta existente naquele lugar, os pagãos acreditavam existir um acesso ao mundo dos mortos, conhecido como o “portal do inferno”.

É justamente diante desse cenário de confusão religiosa que Cristo pergunta aos discípulos quem as pessoas dizem que Ele é.

As respostas revelam a dificuldade do povo em compreender aquilo que via. Mesmo testemunhando milagres, ouvindo seus ensinamentos e contemplando os sinais do Reino, muitos interpretavam Jesus segundo suas próprias expectativas: uns diziam João Batista, outros Elias, outros Jeremias ou algum dos profetas (Mt 16,14).

Mas a resposta correta já estava escondida na própria pergunta: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Aquele que falava já havia revelado sua identidade.

Jesus frequentemente ensinava dessa forma. Também aos discípulos de João Batista respondeu: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo.” (Mt 11,4)

Em outras palavras: o que vocês estão testemunhando?

A fé nasce do testemunho acolhido. Não basta ver os milagres; é preciso permitir que Deus revele seu significado.

Então Simão responde: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Mt 16,16)

Mas Jesus deixa claro que aquela profissão de fé não nasceu do raciocínio humano: “Não foi um ser humano que te revelou isso, mas meu Pai que está no céu.” (Mt 16,17)

É por isso que Pedro se torna a pedra sobre a qual Cristo edifica a sua Igreja. Não por causa de suas capacidades, nem porque jamais erraria, mas porque abriu o coração para ouvir a voz do Pai e testemunhou fielmente quem era Jesus.

Por isso o Senhor declara: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela.” (Mt 16,18)

Há aqui um detalhe profundamente simbólico. Diante daquele lugar que era conhecido como o “portal do inferno”, Jesus anuncia que o poder da morte, do erro e das trevas jamais vencerá a Igreja fundada sobre a fé revelada pelo Pai.

A promessa não está fundamentada na força de Pedro, mas na fidelidade de Cristo. Enquanto a Igreja permanecer anunciando o verdadeiro Filho de Deus, como Pedro anunciou, nenhuma força do inferno poderá prevalecer contra ela.

Hoje, a mesma pergunta continua sendo dirigida a cada um de nós. Não basta repetir o que os outros dizem sobre Jesus. É preciso responder com a própria vida, testemunhando aquilo que vimos, ouvimos e experimentamos.

Assim como Pedro, somos chamados a deixar que o Espírito Santo revele Cristo ao nosso coração, para que nossa fé não seja apenas uma opinião, mas um testemunho vivo da Verdade.

No Eco da Palavra, buscamos refletir sobre os detalhes das leituras diárias que podem passar despercebidos nas homilias. Cada versículo tem uma riqueza infinita, e aqui, ecoamos essas pequenas grandes revelações para alimentar a fé e aprofundar a vivência da Palavra de Deus no dia a dia.