Categorias

so sei que eu era cego

Só sei que eu era cego… e agora vejo

No meio da caminhada quaresmal surge um momento de respiro: o Domingo Laetare. No deserto do jejum e da penitência, a Igreja nos recorda que a luz da Páscoa já começa a despontar. É uma alegria discreta, como uma nuvem que refresca o povo no deserto e o alimenta com o maná da esperança.

As leituras deste domingo giram em torno de uma grande realidade: a luz que Deus quer acender em nosso coração.

Muitas vezes vivemos nas trevas e julgamos segundo as aparências pela limitação da nossa visão. Mas o Senhor nos lembra:

“O homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração” (1Sm 16,7).

Quando o coração está sem luz, ele se prende ao exterior, às grandezas humanas, às falsas seguranças. Mas quando a luz de Deus o ilumina, tudo começa a mudar.

Quem vive na luz não precisa esconder-se. Como canta o salmista: “Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo ungis minha cabeça” (Sl 23,5).

A luz não tem medo de ser vista. Mesmo que os inimigos observem ou desejem nossa ruína, quem caminha na luz permanece firme, porque sabe em quem confia.

O Evangelho nos apresenta então o encontro de Cristo com o cego de nascença. E ali aparece uma diferença profunda: há quem não veja… e há quem se recuse a ver.

Quem não vê, mas deseja a luz, aproxima-se dela. Mas quem se recusa a ver, fecha o coração; e enquanto não desejar enxergar, nenhuma prova será suficiente.

Por isso a Palavra nos chama: “Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará” (Ef 5,14).

Cristo vem para iluminar nossas trevas. Pois, como recorda o apóstolo: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz” (Ef 5,8).

E a luz produz frutos visíveis na vida de quem a acolhe: bondade, justiça e verdade (Ef 5,9).

Diante do milagre, muitos discutem e recusam acreditar. Mas o homem curado testemunha aquilo que experimentou: “Se este homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada” (Jo 9,33).

E então pronuncia uma das frases mais simples e mais profundas do Evangelho: “Só sei que eu era cego… e agora vejo.” (Jo 9,25)

Essa é a experiência de quem encontra a luz de Cristo. Não é apenas uma ideia, nem uma discussão: é uma vida transformada.

Neste domingo de alegria no meio da Quaresma, somos convidados a nos perguntar: nossos olhos estão fechados ou já começamos a enxergar a luz?

Porque quando Cristo ilumina o coração, também nós podemos dizer com verdade: eu era cego… e agora vejo.

No Eco da Palavra, buscamos refletir sobre os detalhes das leituras diárias que podem passar despercebidos nas homilias. Cada versículo tem uma riqueza infinita, e aqui, ecoamos essas pequenas grandes revelações para alimentar a fé e aprofundar a vivência da Palavra de Deus no dia a dia.