No 4º Domingo da Páscoa, somos conduzidos por uma das imagens mais íntimas e consoladoras do Evangelho: Jesus como o Bom Pastor. Ao dizer “Eu sou a porta” (Jo 10,9), Ele não apenas indica um caminho, mas se revela como o próprio acesso à vida, à salvação e à comunhão com Deus. Não há atalhos, não há outro ingresso legítimo no redil senão por Ele. Cristo é a porta pela qual entramos, o critério pelo qual tudo se mede, o início e o fim de toda caminhada autêntica de fé.
Antes, andávamos como ovelhas desgarradas, perdidos em nossos próprios caminhos. Agora, como nos recorda a carta de Pedro, voltamos ao Pastor e guarda de nossas vidas. A Igreja se apresenta, então, como esse redil que acolhe, protege e alimenta, não como um espaço de limitação, mas de pertença e cuidado. Nela, encontramos o lugar onde somos reunidos novamente, não por nossos méritos, mas pela misericórdia do Pastor que nos busca.
Diante disso, surge uma pergunta essencial: como reconhecer quem é verdadeiro pastor e quem é ladrão? O próprio Cristo nos oferece o critério: aquele que não entra pela porta, mas tenta outro caminho, não vem de Deus. O verdadeiro pastor passa por Cristo, conduz a Cristo e nunca toma o lugar de Cristo. Já o falso busca a si mesmo, desvia o olhar das ovelhas e não as leva à verdadeira vida. O discernimento, portanto, não está em aparências ou discursos, mas na fidelidade a Jesus.
Por fim, tudo converge para Ele. Assim como Pedro é a pedra visível que sustenta a Igreja, Cristo é a pedra angular que dá sentido a toda a construção. Sem essa pedra fundamental, toda a estrutura perde sua direção e firmeza. Do mesmo modo, Ele é a porta que permite a entrada no redil e o pastor que guia com segurança. Nele encontramos o fundamento, o caminho e a meta. Seguir o Bom Pastor é escutar sua voz, confiar em sua condução e reconhecer que somente por Ele encontramos vida em plenitude.









