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para abencoar todas as familias da terra

Serão abençoadas todas as famílias da terra

No caminho quaresmal, a Palavra nos conduz ao alto do monte para contemplar a promessa e a missão.

A promessa nasce com Livro do Gênesis, quando Deus diz a Abraão: “Torna-te uma bênção… em ti serão abençoadas todas as famílias da terra” (cf. Gn 12,2-3).

Abraão acreditou. Confiou antes de ver. Partiu antes de entender. E, porque creu, tornou-se pai de uma descendência que ultrapassa o sangue e alcança a fé.

A todos os que creem no Deus Uno e Trino, aos que professam Jesus Cristo como Senhor, é dada esta graça: somos filhos de Abraão pela fé e, sendo filhos, tornamo-nos herdeiros da promessa.

Se temos fé, então esta Palavra também ecoa sobre nós: “Torna-te uma bênção.”

Não é um convite opcional. É vocação.

Não é privilégio fechado. É envio.

Somos enviados ao serviço.

Somos enviados a fazer o bem.

Somos enviados a ser bênção — inclusive às famílias que não compartilham da mesma fé. Porque a promessa é clara: todas as famílias da terra serão abençoadas.

O salmo proclama: “Deus ama o direito e a justiça; transborda em toda a terra a sua graça.”

A graça não é escassa. Transborda. Mas escolhe corações disponíveis para se derramar.

E São Paulo nos recorda na Segunda Carta a Timóteo: “Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não devido às nossas obras, mas em virtude do seu desígnio e da sua graça, que nos foi dada em Cristo Jesus desde toda a eternidade.” (2Tm 1,9)

Não somos bênção por mérito. Somos bênção por graça.

No alto do monte, em Evangelho de Mateus (Mt 17,1-9), Jesus se transfigura. O seu rosto resplandece como o sol. A glória que sempre foi sua torna-se visível aos discípulos.

A Transfiguração nos ensina algo essencial:

O brilho não é nosso.

A luz não nasce de nós.

Somos apenas reflexo.

Quando servimos por amor, quando fazemos o bem, quando perdoamos, quando sustentamos alguém na dor, não é nossa atitude que deve receber o louvor. O brilho pertence Àquele que nos enviou: Cristo Jesus.

A Quaresma é o tempo de subir o monte interior. É tempo de deixar que o Cristo se transfigure também em nós — não para nossa exaltação, mas para que o mundo veja, ainda que por meio de nossa fragilidade, um lampejo da glória de Deus.

Que, a partir do nosso serviço de amor, façamos brilhar o rosto de Cristo para o outro.

Que nossas ações sejam como janelas abertas para a eternidade.

Que nossas orações e obras se tornem fecundas porque Ele as ilumina.

E que Jesus, ao se transfigurar diante de nós, também transfigure nosso coração — para que sejamos, de fato, bênção para todas as famílias da terra.

No Eco da Palavra, buscamos refletir sobre os detalhes das leituras diárias que podem passar despercebidos nas homilias. Cada versículo tem uma riqueza infinita, e aqui, ecoamos essas pequenas grandes revelações para alimentar a fé e aprofundar a vivência da Palavra de Deus no dia a dia.