Categorias

siloe e1773837303205

Não Tenho Ninguém

No Evangelho de hoje, junto à piscina de Betesda, encontramos um homem marcado por 38 anos de espera.

Uma vida inteira carregando não só a doença, mas algo ainda mais pesado: a solidão.

“Não tenho ninguém…” (Jo 5, 7)

Essa frase ecoa mais fundo que qualquer enfermidade.

É o grito de quem foi esquecido, deixado à margem, abandonado por uma sociedade que já não vê, e por uma lei que, aplicada sem amor, se torna cega.

Ali estava ele — não apenas doente do corpo, mas ferido na dignidade.

E era sábado. O dia do descanso. O dia separado para Deus.

Mas também o dia em que muitos haviam transformado a fé em regra, e a lei em prisão.

Jesus entra nesse cenário e rompe tudo.

Porque o sábado não é sobre imobilidade.

É sobre plenitude.

Lembremo-nos do número 38 apresentado na leitura. O número 3 nos lembra a divindade. O 8 nos aponta para algo além: o novo começo, o dia que ultrapassa a criação — o dia de Deus agir novamente.

O “oitavo dia” não é apenas descanso. É recriação.

Jesus mostra que Ele é o Senhor do sábado. E se Deus, ao criar, viu que tudo era bom, então fazer o bem nunca pode ser proibido. Nem no sábado!

Nem no descanso.

Nem no nosso “tempo pessoal”.

Porque o verdadeiro descanso em Deus não nos fecha… nos abre.

Nos tira de nós mesmos.

Nos faz olhar para o outro.

Nos convida a interromper até o que é legítimo — o nosso descanso — para viver aquilo que é essencial: o amor.

Descansar é necessário. Mas amar é urgente.

E tudo aquilo que vem de Deus… é sempre chamado à bondade.

Hoje, o Evangelho nos pergunta: quantas vezes também dizemos “não tenho ninguém”?

E, mais forte ainda: para quem nós temos sido esse “ninguém”?

Porque Deus continua passando, mesmo nos nossos sábados, procurando não apenas curar… mas encontrar corações dispostos a amar.

No Eco da Palavra, buscamos refletir sobre os detalhes das leituras diárias que podem passar despercebidos nas homilias. Cada versículo tem uma riqueza infinita, e aqui, ecoamos essas pequenas grandes revelações para alimentar a fé e aprofundar a vivência da Palavra de Deus no dia a dia.