“Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra (…), assim a palavra que sair de minha boca não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo o que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi ao enviá-la.” (Is 55,10-11)
A chuva fecunda a terra.
A semente produz a colheita.
A Palavra transforma o coração.
Nada do que Deus faz é inútil.
O Evangelho mostra que a mesma semente caiu em diversos terrenos. Assim também acontece conosco. Cada coração possui sua própria história, suas alegrias, suas feridas e suas resistências. Porém, a semente é sempre a mesma: é a Palavra de Deus, lançada com generosidade sobre todos.
E Deus nunca a envia em vão.
Talvez hoje nosso coração seja um terreno endurecido, cheio de pedras ou sufocado pelos espinhos das preocupações. Ainda assim, Deus continua semeando, porque conhece aquilo que nós mesmos muitas vezes desconhecemos: a capacidade que temos de produzir frutos quando nos deixamos transformar pela sua graça.
Na segunda leitura, São Paulo amplia ainda mais esse horizonte ao afirmar: “A criação inteira geme e sofre como em dores de parto até o presente.” (Rm 8,22)
Há um mundo inteiro esperando que os filhos de Deus revelem quem realmente são.
Há pessoas ao nosso lado aguardando uma palavra de esperança, um gesto de misericórdia, uma visita, um perdão, uma mão estendida.
Esperam, muitas vezes sem saber, que alguém lhes anuncie Cristo através da própria vida.
Por isso, a pergunta da liturgia não é quantos frutos os outros produzem.
A pergunta é: que tipo de terreno estou oferecendo à Palavra de Deus?
Somente Deus conhece profundamente o nosso coração. Somente Ele sabe até onde podemos chegar quando confiamos na sua vontade.
Nós podemos produzir frutos muito além do que imaginamos quando permitimos que a Palavra transforme nossa vida.
Entreguemo-nos, portanto, à vontade do Senhor.
Que sejamos terra boa.
Que a Palavra encontre espaço para germinar em nós.
E que os frutos da nossa fé alcancem aqueles que Deus colocou ao nosso redor.









