A liturgia deste 18º Domingo do Tempo Comum nos apresenta um Deus que cuida, alimenta, fortalece e restaura. Antes de nos enviar em missão, Ele nos convida a permanecer em sua presença, para que sejamos renovados.
No Evangelho, diante da multidão faminta, os discípulos sugerem que as pessoas vão embora para buscar alimento. Mas Jesus responde: “Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!” (Mt 14,16)
Ninguém precisa abandonar a presença de Deus para buscar aquilo que sustenta a vida.
É na presença do Senhor que aprendemos a cuidar de nós mesmos. O autocuidado não é egoísmo; é reconhecer que Deus também deseja o nosso bem. Quem se permite ser cuidado por Deus encontra forças para cuidar dos outros.
A primeira leitura reforça esse convite: “Ó vós todos que estais com sede, vinde às águas!” (Is 55,1)
O profeta fala a todos os que estão sedentos, cansados e vazios. Deus não oferece apenas o suficiente para sobreviver; Ele oferece vida em abundância.
Por isso pergunta: “Por que gastar dinheiro com outra coisa que não o pão, desperdiçar o salário senão com satisfação completa? Ouvi-me com atenção, e alimentai-vos bem, para deleite e revigoramento do vosso corpo.” (Is 55,2)
A expressão “deleite e revigoramento do vosso corpo” vai muito além da alimentação física.
Deleite é experimentar alegria, paz e satisfação verdadeira. É encontrar prazer naquilo que realmente alimenta a vida, em vez de buscar compensações passageiras.
Revigoramento significa recuperar as forças, renovar o corpo, a mente e o espírito para continuar a caminhada.
Deus deseja pessoas fortes, serenas e plenamente vivas. Ele sabe que um coração esgotado, uma mente sobrecarregada e um corpo negligenciado dificilmente conseguem servir com alegria.
O Evangelho confirma isso quando relata o milagre da multiplicação dos pães: “Todos comeram e ficaram satisfeitos.” (Mt 14,20)
A chave está justamente nessa palavra: satisfeitos.
Não havia excesso, mas também não havia falta.
Deus nos ensina o equilíbrio. A satisfação nasce quando reconhecemos o que realmente é necessário para viver.









