Na liturgia deste 5º Domingo da Quaresma, a Igreja nos conduz à reta final da nossa preparação. Já se aproxima a Semana Santa, e com ela o mistério central da nossa fé. Como canta Rosa de Saron, “um dia tudo será alegria, não haverá mais tristeza, incerteza, medo ou dor”. Essa esperança ilumina o caminho, mesmo quando a realidade nos coloca diante daquilo que mais tememos: a morte.
A Palavra de Deus nos recorda que não há ressurreição sem cruz. A morte não é o fim, mas o ponto decisivo onde toda dúvida se dissipa e a verdade se revela. “Quando eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas, sabereis que eu sou o Senhor” (Ez 37,13). É o próprio Deus quem nos chama à vida, rompendo os limites da morte.
São Paulo nos alerta: “os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus” (Rm 8,8), mas também nos enche de esperança ao afirmar que o Espírito que ressuscitou Cristo habita em nós e dará vida aos nossos corpos mortais (cf. Rm 8,11). Não caminhamos sozinhos: há uma promessa viva pulsando em nosso interior.
No Evangelho, contemplamos um Cristo profundamente humano. Diante da dor, Ele se comove, sofre conosco: “estremeceu interiormente, ficou profundamente comovido” (Jo 11,33). Nossa dor não lhe é indiferente — ela é também a dor d’Ele.
Por isso, não tenhamos medo. Ele caminha à nossa frente, nos consola e nos guia. Alimentemos a certeza de que, ao final da nossa jornada, haverá um encontro definitivo com o Senhor. E quando ouvirmos o chamado — “O Mestre está aí e te chama” (Jo 11,28) — que o nosso coração esteja pronto para responder, com fé e confiança, àquele que é a Vida.









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