“Enquanto Moisés conservava a mão levantada, Israel vencia; quando abaixava a mão, vencia Amalec.” (Ex 17,11)
Neste 29º Domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus nos convida a refletir sobre a perseverança na oração e a importância daqueles que intercedem por nós — pessoas que, muitas vezes em silêncio, sustentam as nossas batalhas espirituais com mãos erguidas ao céu.
Na primeira leitura, vemos Moisés intercedendo enquanto Josué combate. Cada um cumpre sua missão: Josué luta na frente de batalha, enquanto Moisés, no alto do monte, intercede com as mãos erguidas. E é justamente a constância da oração de Moisés que garante a vitória de Israel.
Quando suas mãos se cansam, Aarão e Hur as sustentam — imagem viva da comunhão dos santos, onde ninguém vence sozinho.
Assim também é a nossa vida: há quem esteja na linha de frente — trabalhando, lutando, enfrentando — e há quem esteja no alto do monte, intercedendo em silêncio. Ambos são essenciais, mas é a oração que dá sentido à luta. Sem oração, o esforço humano se enfraquece; com oração, o impossível se torna possível.
“O Senhor é quem me socorre.” (Sl 120,2)
Pense em quantas vitórias você já viveu sustentado pela oração de alguém — uma mãe, uma avó, um amigo, alguém que dobrou os joelhos por você. As mãos que oram merecem gratidão e reverência.
Santa Mônica é um testemunho luminoso dessa verdade. Por longos anos, ela chorou e orou incessantemente pela conversão de seu filho, Agostinho. Quando parecia tudo perdido, ela permanecia firme na esperança. A oração de uma mãe pode mudar o destino de um filho.
Santo Agostinho, já convertido, escreveu com profunda gratidão:
“Filho de tantas lágrimas não poderia perecer.” (Santo Agostinho, Confissões III,12)
As lágrimas e preces de uma mãe moveram o coração de Deus. E assim é com todos os que intercedem: suas orações são pontes invisíveis que ligam o céu à terra.
“Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade.” (2Tm 3,14)
Jesus, no Evangelho (Lc 18,1-8), confirma esse chamado à oração insistente. A parábola da viúva e do juiz iníquo nos mostra que Deus escuta os que clamam dia e noite. A viúva não desiste, e sua perseverança é recompensada.
Assim também nós — e aqueles que rezam por nós — devemos permanecer firmes, confiando na justiça e na fidelidade do Senhor.
A oração perseverante é o oxigênio da fé.
A intercessão é o coração da caridade.
Hoje, somos convidados a olhar para os que oram por nós — pais, mães, avós, amigos, religiosos, intercessores anônimos — e agradecer.
E, mais ainda, somos chamados a ser também intercessores, sustentando outros com nossas mãos erguidas, mesmo quando cansadas, como Moisés.
A insistência na oração alcança graças.
“A oração de um justo tem grande poder.” (Tg 5,16)
Que neste domingo aprendamos a valorizar os intercessores e a nos unir a eles na oração constante, porque quando o povo reza unido, o céu se move.









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