A liturgia nos conduz às terras de Zabulon e Neftali.
Zabulon e Neftali eram duas das doze tribos de Israel, filhos de Jacó.
Zabulon ficava mais ao centro-norte de Israel, e Neftali mais ao extremo norte
Juntas, essas tribos ocupavam uma região que, séculos depois, passou a ser chamada de Galileia.
Essa área incluía: rotas comerciais importantes; contato constante com povos estrangeiros; influência cultural, política e religiosa de outras nações.
Por isso Isaías diz: “caminho do mar”; “região do outro lado do Jordão”; “Galileia dos pagãos”. Ou seja: não era um lugar isolado, “religiosamente puro”, mas uma fronteira aberta.
“Viviam nas trevas”
No Antigo Testamento, as terras do norte foram as primeiras a cair quando Israel foi invadido.
Resultado: perda da identidade religiosa, abandono da Lei, mistura de cultos, esquecimento das promessas.
Isso é trevas: o afastamento da Aliança.
Após a invasão: chegaram povos estrangeiros, costumes e religiões diferentes se espalharam, o povo passou a ser visto como “impuro”. Por isso, Jerusalém e o sul olhavam a Galileia com desprezo:
“Dali não pode vir nada de bom” (cf. Jo 1,46)
Era uma região marginalizada, tanto política quanto espiritualmente.
Isaías profetiza (Is 8,23–9,1): “Justamente onde foi mais escuro, Deus começaria algo novo.”
Jesus começa sua missão pública exatamente ali: em Nazaré, na Galileia, nas terras de Zabulon e Neftali.
“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9,1)
Santo Agostinho nos ilumina: “Deus não escolhe os lugares santos para habitar, mas torna santos os lugares que escolhe.”









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