No coração da liturgia deste domingo ecoa uma palavra forte, exigente e profundamente atual: testemunho.
O que é uma testemunha?
No direito, testemunha é aquela pessoa que viu, ouviu ou experimentou um fato e, por isso, tem autoridade para falar sobre ele. Seu depoimento não nasce de suposições, mas da experiência direta. Um testemunho verdadeiro pode mudar sentenças, libertar inocentes ou revelar culpados.
No dicionário, testemunha é: “Pessoa que presenciou um fato e pode confirmá-lo; aquele que dá prova de algo por palavras ou ações.”
Ou seja, testemunhar não é repetir o que ouviu dizer. É falar do que se viu, do que se viveu, do que transformou a própria vida.
Jesus afirma algo impressionante sobre João Batista: “Entre os nascidos de mulher, ninguém foi maior do que João; no entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele.”
João é o maior dos profetas, porque não apenas anunciou o Messias — ele O viu.
Se os profetas falaram do que esperavam, João falou do que contemplou.
“Eu vi e dou testemunho.” (Jo 1,34)
João viu o Rei.
Viu o Espírito descer.
Viu o Cordeiro de Deus caminhar entre os homens.
E, mesmo assim, João não se colocou no centro. Ele diminui para que Cristo cresça. Eis o paradoxo do Reino: a verdadeira grandeza nasce da humildade.
O testemunho tem um poder que nenhum discurso tem: ele arrasta.
Não convence apenas pela lógica, mas pela vida.
Por isso Jesus não faz propaganda de si mesmo.
Ele diz: “Ide contar o que vedes: os cegos veem, os coxos andam, os surdos ouvem, os mudos falam.”
Jesus não diz quem Ele é.
Ele manda falar do que acontece quando Ele passa.
O cristianismo não se sustenta em slogans, mas em vidas transformadas.
O salmo deste domingo nos ensina: “Esperando, esperei no Senhor.” João esperou. Esperou no deserto. Esperou sem holofotes. Esperou fiel.
E quando chegou a hora, ele reconheceu: “Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo.”
João não inventa critérios. Ele obedece.
Como o salmista, ele vive: “Com prazer faço a vossa vontade.”
Testemunhar exige obediência, paciência e coragem. Não é imediato, mas é fecundo.
João resume toda a sua missão nesta frase: “Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim.”
Ele reconhece: Cristo vem depois no tempo, mas antes na eternidade.
Depois na história, mas primeiro no sentido da vida.
João não segura o discípulo para si. Ele aponta o caminho.
A verdadeira testemunha não prende, ela envia.
Também nós somos chamados a ser testemunhas.
Não de teorias.
Não de moralismos.
Mas do que Deus já fez — e continua fazendo — em nós.
O mundo não quer apenas saber quem é Jesus.
Ele quer ver o que muda quando Jesus entra na vida de alguém.
Que possamos dizer, como João: “Eu vi e dou testemunho.”
Mesmo que sejamos pequenos, frágeis e imperfeitos, no Reino dos Céus uma vida fiel vale mais que mil discursos.









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