“Abrindo seus cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra.” (Mt 2,11)
Diante do Menino em Belém, os reis magos não oferecem apenas objetos preciosos. Cada dom carrega uma profissão de fé, uma teologia silenciosa, um ato profundo de adoração.
O ouro proclama a realeza de Deus. Não é apenas metal nobre, mas sinal de reconhecimento: aquele Menino é Rei. Rei que não domina com força, mas governa com amor. Rei cujo trono é a manjedoura e cuja coroa será a cruz. Como canta a Canção dos Reis, o verdadeiro ouro que temos é o coração — esse tesouro íntimo onde decidimos quem reina em nós.
O incenso sobe aos céus como oração, revelando a divindade de Cristo. Diante d’Ele, toda a criação se inclina. O perfume simboliza o louvor imperfeito, mas sincero, que nasce de um coração sedento de Deus.
São João Crisóstomo recorda: “Não é o valor do dom que agrada a Deus, mas o amor com que ele é oferecido.”
A mirra, usada para ungir corpos, anuncia a humanidade do Verbo. O Deus que se faz carne assume a dor, o sofrimento e a morte. Oferecer mirra é reconhecer que Ele entrou na nossa fragilidade. É apresentar a Ele nossos sacrifícios diários, renúncias escondidas, escolhas silenciosas por amar quando é difícil.
Santa Teresa de Calcutá dizia: “Nem todos podem fazer grandes coisas, mas podemos fazer pequenas coisas com grande amor.”
Esses três dons encontram eco em Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo (cf. Gn 14,18), que oferece pão e vinho sobre o altar. Nele, já se anuncia Cristo: Rei, Sacerdote e oferta. Em Jesus, altar, dom e oferente se unem. Ele desce do céu não para receber riquezas, mas para recolher corações.
E hoje, diante do Menino-Rei, a pergunta permanece viva:
O que há em nós de melhor para entregar a Deus?
Talvez não tenhamos ouro abundante, mas podemos oferecer o coração inteiro.
Talvez nosso incenso seja um louvor simples, entrecortado por fraquezas, mas sincero.
Talvez a mirra sejam lágrimas, lutas, cruzes diárias assumidas por amor.
São Francisco de Assis resume esse gesto interior: “É dando que se recebe.”
Quando oferecemos tudo o que somos — alegria e dor, força e limite — descobrimos que, antes mesmo do nosso dom, Ele já se entregou por inteiro a nós.
Diante do Menino e Rei, resta-nos repetir com a alma em oração: Tudo é Teu, meu Senhor. Menino e Rei.









Deixe um comentário