No segundo domingo do Advento, a liturgia nos conduz à esperança que não engana, porque se fundamenta na fidelidade de Deus.
São Paulo recorda: “Cristo tornou-se servo dos que praticam a circuncisão, para honrar a veracidade de Deus, confirmando as promessas feitas aos pais. Quanto aos pagãos, eles glorificam a Deus em razão da sua misericórdia.” (Rm 15,8-9)
Aqui, o apóstolo revela a grandeza do plano divino:
O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó — o mesmo Deus que falou aos patriarcas, que prometeu e jurou por Si mesmo — mostra sua continuidade e fidelidade. Ele não muda. O tempo não O limita; pelo contrário, Lhe serve. O Senhor realiza Suas promessas na plenitude dos tempos, quando envia Cristo.
Jesus, vindo primeiro “às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15,24), honra a promessa feita aos filhos de Abraão. Contudo, muitos O rejeitaram — exatamente como João Batista havia denunciado, quando os fariseus e doutores da Lei se aproximaram de seu batismo sem verdadeira conversão.
É quando ressoam as palavras ardentes do Precursor: “Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da ira que está por vir? Produzi, pois, frutos que provem a vossa conversão.” (Mt 3,7-8)
E ele completa: “Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é nosso pai’. Porque eu vos digo: até mesmo destas pedras Deus pode fazer nascer filhos de Abraão.” (Mt 3,9)
A advertência é clara: Não é o sangue, não é a descendência, não é o título de “filho de Abraão” que salva — mas a conversão verdadeira.
Deus é capaz até de suscitar filhos da promessa “das pedras”, ou seja, dos pagãos, daqueles que estavam longe, sem Aliança, sem templo e sem Lei. Em Cristo, o que estava distante foi aproximado. O que era alheio, tornou-se povo. O que não era filho, foi adotado.
Assim, Paulo completa sua visão universal:
Os judeus glorificam a Deus por sua fidelidade.
Os pagãos glorificam a Deus por sua misericórdia.
O Advento nos recorda exatamente isso: A misericórdia de Deus não está limitada a um povo, a uma cultura, a uma história.
Ela está disponível a todos os que a buscam, a todos os que desejam produzir frutos de conversão e abrir o coração para a vinda do Senhor.
Que este tempo nos encontre vigilantes, humildes e desejosos de acolher Cristo como Filhos da Promessa, vivendo não de privilégios, mas de conversão, fé e caridade.









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