“Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Cor 3,16)
A Liturgia nos recorda um gesto antigo e cheio de significado: dedicar um lugar a Deus, reservando-lhe um espaço sagrado onde o povo possa se reunir para dar-lhe honra e glória.
Desde tempos imemoriais, o ser humano sente a necessidade de consagrar templos, altares e basílicas — espaços onde o céu e a terra se encontram no louvor.
A Basílica de São João de Latrão, ou Arquibasílica do Santíssimo Salvador e dos Santos João Batista e Evangelista, é o símbolo dessa entrega. Erguida em Roma pelo imperador Constantino, após o Édito de Milão (313), que concedeu liberdade de culto aos cristãos, ela é chamada “a mãe e cabeça de todas as igrejas do mundo”.
O imperador, sensibilizado pela fé, doou ao Papa Melquíades as terras de Latrão — um antigo domínio da família da imperatriz Fausta — para que ali fosse construída a primeira basílica cristã, onde os fiéis pudessem celebrar abertamente a presença de Deus.
Mais do que uma lembrança histórica, esta festa é um convite espiritual. O templo de pedra que veneramos é sinal do templo vivo que somos nós.
Assim como os cristãos do passado cuidaram do edifício que representa a comunhão da Igreja, somos chamados hoje a zelar pelo templo interior — nosso coração — morada do Espírito Santo.
“Cada cristão é, no fundo, um pequeno templo de Deus, e deve cuidar para que nele reine a pureza, o amor e a presença divina.” (Santo Agostinho)
Cuidar do templo não é apenas preservar o edifício material, mas também conservar a fé que o sustenta. Da mesma forma que varremos o chão da igreja e adornamos o altar, precisamos purificar nossa alma e adornar o coração com as virtudes.
“Purificai este templo, e o Senhor habitará convosco.” (cf. 2Cor 6,16)
Essa data é também um sinal de unidade e amor ao Papa, sucessor de Pedro, que preside na caridade. Rezamos por ele e por toda a Igreja, agradecendo a Deus pelos espaços sagrados que acolhem nossas comunidades — capelas, matrizes e catedrais — onde vivemos a comunhão fraterna e celebramos o mistério da fé.
Que hoje, ao recordarmos a Basílica do Latrão — sinal visível da unidade eclesial —, possamos também renovar nosso compromisso de ser templos vivos, sustentados pela oração, pela comunhão e pelo amor.
“Sejamos templos santos, não de pedra, mas de corações vivos, onde Deus encontre repouso.” (São João Crisóstomo)









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