No Evangelho de hoje, junto à piscina de Betesda, encontramos um homem marcado por 38 anos de espera.
Uma vida inteira carregando não só a doença, mas algo ainda mais pesado: a solidão.
“Não tenho ninguém…” (Jo 5, 7)
Essa frase ecoa mais fundo que qualquer enfermidade.
É o grito de quem foi esquecido, deixado à margem, abandonado por uma sociedade que já não vê, e por uma lei que, aplicada sem amor, se torna cega.
Ali estava ele — não apenas doente do corpo, mas ferido na dignidade.
E era sábado. O dia do descanso. O dia separado para Deus.
Mas também o dia em que muitos haviam transformado a fé em regra, e a lei em prisão.
Jesus entra nesse cenário e rompe tudo.
Porque o sábado não é sobre imobilidade.
É sobre plenitude.
Lembremo-nos do número 38 apresentado na leitura. O número 3 nos lembra a divindade. O 8 nos aponta para algo além: o novo começo, o dia que ultrapassa a criação — o dia de Deus agir novamente.
O “oitavo dia” não é apenas descanso. É recriação.
Jesus mostra que Ele é o Senhor do sábado. E se Deus, ao criar, viu que tudo era bom, então fazer o bem nunca pode ser proibido. Nem no sábado!
Nem no descanso.
Nem no nosso “tempo pessoal”.
Porque o verdadeiro descanso em Deus não nos fecha… nos abre.
Nos tira de nós mesmos.
Nos faz olhar para o outro.
Nos convida a interromper até o que é legítimo — o nosso descanso — para viver aquilo que é essencial: o amor.
Descansar é necessário. Mas amar é urgente.
E tudo aquilo que vem de Deus… é sempre chamado à bondade.
Hoje, o Evangelho nos pergunta: quantas vezes também dizemos “não tenho ninguém”?
E, mais forte ainda: para quem nós temos sido esse “ninguém”?
Porque Deus continua passando, mesmo nos nossos sábados, procurando não apenas curar… mas encontrar corações dispostos a amar.










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