3º Domingo da Quaresma – Ano A
A revolta de um povo…
Povo este que outrora sofria a escravidão no Egito.
Viu a grandeza de Deus.
Viu o mar se abrir.
Viu o maná cair do céu.
Mas seus corações ainda eram endurecidos.
O corpo falava mais alto que o espírito.
Eram movidos pelo desejo, e não respeitavam a Deus — apenas o temiam.
Quando a necessidade superou o medo, tornaram-se violentos: “Por pouco não me apedrejam!” (Ex 17,4)
Eles não queriam esperar em Deus.
Deram àquele lugar o nome de Massa e Meriba, porque ali disputaram e tentaram o Senhor, dizendo: “O Senhor está no meio de nós, ou não?” (Ex 17,7)
Quantas vezes também nós perguntamos o mesmo…
O jejum da Quaresma nos recorda exatamente isto: dar mais atenção ao espírito do que ao corpo, entregar a prioridade a Deus.
Romper a escravidão do desejo. Quebrar esse coração de pedra.
O próprio Senhor nos aconselha no Salmo: “Oxalá ouvísseis hoje a sua voz! Não fecheis os corações como em Meriba, aquele dia em que vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras.” (Sl 94(95),7-9)
A resposta de Deus à dureza humana não foi destruição. Foi misericórdia. Rompeu com a pedra. E da pedra fez jorrar água.
“Onde abundou o pecado, superabundou a graça.” (Rm 5,20)
Fez brotar vida no deserto.
No Evangelho, Cristo renova essa resposta divina.
Junto ao poço de Sicar, fala à samaritana e promete: “Quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. A água que eu lhe darei tornar-se-á nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna.” (Jo 4,14)
Se em Massa a água brotou da pedra, agora a Água Viva brota do próprio coração de Cristo.
Na cruz, Seu lado é aberto.
E dali jorra água e sangue.
Água que lava os corações endurecidos.
Água que rompe a pedra interior.
A Quaresma é este caminho: deixar Deus quebrar nossa dureza, romper nossa escravidão, e permitir que a graça jorre onde antes havia revolta.
Hoje o Senhor ainda nos pergunta, não para nos acusar, mas para nos despertar:
“Oxalá ouvísseis hoje a sua voz…Não fecheis o coração.”










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