As leituras deste domingo nos colocam diante de uma inversão desconcertante de valores.
O profeta anuncia: “E deixarei entre vós um punhado de homens humildes e pobres. No nome do Senhor porá sua esperança.”
Pequenos e frágeis aos olhos do mundo, mas firmes porque sua esperança está no Senhor.
Somos facilmente seduzidos pela ideia de que segurança vem do que possuímos: dinheiro, estabilidade, reconhecimento, prestígio. Vivemos como se essas coisas fossem essenciais, quase sagradas. No entanto, a Palavra nos mostra que tudo isso é profundamente passageiro — e, no fundo, inútil para sustentar a vida quando ela é realmente provada.
Quantas vezes encontramos pessoas marcadas por limitações, fragilidades, pobreza material, mas que carregam uma fé sólida, silenciosa e inabalável.
Pessoas que não têm quase nada… e, ao mesmo tempo, parecem ter tudo. Elas confiam, esperam, rezam e permanecem de pé.
Não porque a vida seja fácil, mas porque aprenderam a colocar sua esperança onde ela realmente pode repousar: em Deus.
Muitas vezes nos aproximamos dessas pessoas com a intenção de ajudar. Levamos algo material, um gesto concreto — necessário, justo e importante. Mas, ao sair, percebemos que nossa oferta foi pequena diante do que recebemos.
A ajuda parecia ir em uma direção, mas a graça veio na outra. Somos nós os verdadeiramente ajudados ao testemunhar uma fé que não depende de posses, status ou garantias humanas.
As Bem-aventuranças, proclamadas neste domingo, confirmam isso: felizes os pobres, os mansos, os que choram, os que têm fome e sede de justiça. Felizes não porque lhes falte algo, mas porque já descobriram que Deus basta. Eles não se apoiam no que o mundo exalta, e por isso não desmoronam quando tudo isso falha.
Esse Evangelho nos convida a um exame honesto:
Em que temos colocado nossa segurança?
O que defendemos com tanto empenho como se fosse essencial?
O que, no fim das contas, pode desaparecer de um dia para o outro?
Diante da Palavra, percebemos: dinheiro passa, posses passam, prestígio passa. Tudo isso é frágil. Só a fé permanece. Só a esperança colocada no Senhor não decepciona.
Que este domingo nos ajude a desapegar do que é inútil e a reconhecer a riqueza escondida na humildade. Porque, quando tudo o que parece importante perde o valor, descobrimos a verdade mais simples e mais profunda da vida cristã: só a fé basta.









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