“Então, da nuvem luminosa, dizia uma voz: ‘Este é o meu Filho amado, escutai sempre o que Ele diz!’” (cf. Mt 3,17)
No Jordão, o céu se abre.
Não é apenas Jesus que desce às águas: é o próprio Deus que se revela em plenitude.
Aquele que veio com toda autoridade e poder não clama nem levanta a voz, não se impõe, não se faz ouvir pelas ruas. Como já anunciava o profeta:
“Ele não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade.” (Is 42,2-3)
Jesus carrega em si o poder do céu, mas escolhe o caminho da mansidão.
Ele poderia ordenar.
Ele poderia exigir.
Mas prefere servir e cumprir, passo a passo, cada palavra pronunciada pelos profetas.
Diante d’Ele, João Batista reconhece: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (Mt 3,14)
E Jesus responde revelando o coração do Pai: “Por enquanto, deixa como está, porque devemos cumprir toda a justiça.” (Mt 3,15)
Aqui está o mistério do Filho: Ele se manifesta no serviço.
Aquele que não tem pecado se coloca na fila dos pecadores.
Não por necessidade, mas por amor.
São Gregório Nazianzeno nos recorda: “Cristo se deixa purificar, não para ser purificado, mas para purificar as águas.”
É neste momento que a Santíssima Trindade se faz plenamente presente.
No Jordão, Deus se revela como comunhão de amor:
O Pai, que se manifesta pela voz, confirmando a identidade do Filho;
O Filho, que se revela no serviço e na obediência, descendo às águas;
O Espírito Santo, que pousa sobre Ele como pomba, sinal de unção e missão.
“Então o céu se abriu, e Jesus viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo pousar sobre Ele.” (Mt 3,16)
E a voz do Pai proclama: “Este é o meu Filho amado, no qual pus todo o meu agrado.” (Mt 3,17)
São Leão Magno ensina: “No Batismo de Cristo, manifesta-se claramente o mistério da Trindade: o Pai na voz, o Filho na humanidade, o Espírito na pomba.”
O ciclo se completa.
O Antigo Testamento encontra seu cumprimento.
A promessa encontra seu sentido.
Cristo veio letra por letra realizar tudo o que foi anunciado, para que, no alto da cruz, pudesse proclamar:
“Tudo está consumado.” (Jo 19,30)
Como recorda Santo Agostinho: “O Novo Testamento está oculto no Antigo, e o Antigo se revela no Novo.”
No Batismo do Senhor, a catequese perfeita de Deus chega ao ápice.
O céu toca a terra.
A Trindade se revela.
O Filho une o antigo e o novo.
E tudo passa a ter sentido n’Ele.
Hoje, a mesma voz ecoa sobre nós: “Escutai-O.”
Escutá-Lo é permitir que a Trindade também habite em nós: o Pai que nos chama filhos, o Filho que nos ensina a servir, e o Espírito que nos unge e envia.









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