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Vigiai, pois não sabeis o dia nem a hora

É chegado o Advento: tempo de recomeço, de retorno, de despertar. Um novo ciclo litúrgico se inicia, como quem abre as portas do coração para deixar Cristo renascer dentro de nós.

Na liturgia, assim como no círculo, não há início nem fim — há continuidade, há fluxo, há eterno convite à conversão.

Se proclamamos que Cristo é o Rei do Universo, então queremos também que Ele reine em nossas vidas. E, para que Ele habite em nosso meio, precisamos preparar a sua vinda, aplainar os caminhos pelos quais Ele vai passar.

Neste primeiro domingo do Advento, a liturgia nos apresenta algumas dicas de como viver este tempo:

1. Ir ao encontro do Senhor

A profecia de Isaías ressoa com força: “Vamos subir ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que Ele nos mostre seus caminhos e nos ensine a cumprir seus preceitos.” (Is 2,3)

Antes de qualquer palavra, existe um movimento: ir, tomar decisão, levantar-se. A conversão não começa com explicações, mas com atitude. Damos o primeiro passo — e Deus dá todos os outros.

Após a nossa inclinação, Ele nos acolhe como Pai misericordioso, abre-nos as portas, mostra-nos o caminho e somente depois nos ensina os seus preceitos.

Primeiro o exemplo; depois, o ensinamento.

Assim nos recorda São Francisco de Assis: “Pregai o Evangelho; se necessário, use palavras.”

2. Ver, aprender e transformar

A Palavra continua: “Transformarão suas espadas em arados e suas lanças, em foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não aprenderão mais a guerrear.” (Is 2,4)

A conversão é concreta: abandonar a violência interior — orgulho, inveja, avareza, competição — e transformar tudo isso em instrumentos de vida.

Em vez de “tomar do outro”, trabalhar para conquistar o seu próprio pão.

Em vez de ferir, cultivar.

Em vez de destruir, plantar.

A missão que Deus nos entrega é estabelecer a paz que brota do amor, e esse amor só é encontrado em Cristo. Assim canta o salmo: “Que a paz habite dentro de teus muros… Por amor a meus irmãos e meus amigos, digo: ‘A paz esteja em ti!’ Pelo amor que tenho à casa do Senhor, eu te desejo todo bem.” (Sl 121)

3. Despertar do sono

São Paulo nos chama com urgência: “Com efeito, agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé.” (Rm 13,11)

O Advento é este despertar. O Reino está às portas. Cristo vem — e não apenas no fim dos tempos, mas hoje, nas pequenas visitas, nos apelos silenciosos, nas oportunidades de amar. Não é medo servil, mas amor vigilante: não queremos perder nenhuma visita da graça.

4. Vigiai!

O Evangelho conclui com a palavra que resume todo o Advento: “Vigiai, pois não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.” (Mt 24,42)

A vigilância cristã não é ansiedade, mas prontidão amorosa. É manter o coração aceso, como lâmpada cheia de óleo; é viver cada dia como quem espera o Amado.

O Advento nos chama: a ir ao encontro do Senhor, a aprender com Ele, a transformar nossas armas interiores, a buscar a paz, a despertar, a vigiar.

Que este tempo santo nos encontre com o coração aberto, disposto a acolher o Cristo que vem, que passa e que permanece conosco.

“Vem, Senhor Jesus!”

No Eco da Palavra, buscamos refletir sobre os detalhes das leituras diárias que podem passar despercebidos nas homilias. Cada versículo tem uma riqueza infinita, e aqui, ecoamos essas pequenas grandes revelações para alimentar a fé e aprofundar a vivência da Palavra de Deus no dia a dia.