É profundamente desconcertante a sensação de ser um hóspede permanente, alguém que vive de favor… Aquele que, por educação, precisa aceitar o que lhe é oferecido, mas sem verdadeira liberdade. Comer do pão que não é fruto do seu trabalho pode ser incômodo — não porque falte caridade em quem acolhe, mas porque falta plenitude em quem apenas recebe.
A Palavra de Deus hoje nos recorda a dignidade do trabalho. São Paulo escreve aos tessalonicenses com firmeza e amor: “Trabalhando, comam o seu próprio pão, vivendo em paz” (cf. 2Ts 3,12)
E ainda: “Trabalhamos com esforço e fadiga, noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós” (2Ts 3,8)
O apóstolo não quis se acomodar, nem permitir que a comunidade caísse no comodismo. O pão conquistado pelo suor tem um sabor diferente: é o sabor da liberdade, da gratidão e do merecimento. Há uma alegria santa em poder olhar para o alimento à mesa e reconhecer nele a nossa parte de responsabilidade, o nosso amor colocado em forma de trabalho.
A preguiça — lembra-nos a tradição da Igreja — é um dos pecados capitais, pois cria brechas para muitos outros males. Onde a ociosidade governa, a tentação encontra morada. Não é à toa que São Paulo adverte: “Quem não quer trabalhar, também não coma!” (2Ts 3,10)
Palavras duras? Talvez. Necessárias? Sem dúvida. Deus nos criou para um propósito: cultivar, edificar, construir junto com Ele. A vida acomodada anestesia, enfraquece a alma, apaga os sonhos e nos distância da caridade, pois quem não produz tende a absorver e não doar.
E, no entanto, há também o santo descanso — porque Deus mesmo quis descansar no sétimo dia (Gn 2,2). O problema não está na pausa, mas na fuga. O descanso fortalece; a preguiça adoece.
O trabalho é mais do que obrigação social: é caminho de santificação, meio de participar da obra criadora de Deus. Trabalhar é amar com as mãos.
Que o Senhor nos dê a graça de trabalhar sem perder a paz, e de descansar sem perder o propósito. Que cada um possa, com alegria e humildade, comer o pão que conquistou na presença de Deus — reconhecendo sempre que tudo, absolutamente tudo, vem por primeiro das mãos do Criador.









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