A liturgia destes últimos domingos tem nos ensinado o caminho da verdadeira oração — aquela que brota da fé, da humildade e da confiança em Deus.
Recordemos a mulher cananeia, que, mesmo diante do silêncio de Jesus, não desistiu de suplicar: “Senhor, socorre-me!” (Mt 15,25).
Sua perseverança tocou o coração do Senhor, que lhe respondeu: “Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como desejas.” (Mt 15,28).
Assim também nós somos chamados a rezar com insistência, com esperança, e com o coração voltado para Deus, mesmo quando o céu parece calado.
Nas últimas semanas, refletimos sobre essa oração perseverante e humilde — a da viúva diante do juiz (Lc 18,1-8) e a do publicano arrependido (Lc 18,9-14).
Agora, com a aproximação das solenidades de Todos os Santos e Fiéis Defuntos, o Espírito nos convida a olhar para a dimensão mais profunda da oração: a comunhão dos santos.
Quando rezamos, nunca estamos sozinhos.
Rezamos com toda a Igreja:
a Igreja peregrina, que caminha neste mundo;
a Igreja padecente, que se purifica no amor de Deus;
e a Igreja gloriosa, formada por todos os santos e anjos que já contemplam a face do Senhor.
Celebrar Todos os Santos é reconhecer que há uma multidão de irmãos que já venceu, e que ora por nós.
E no Dia de Finados, nossa oração se volta aos que ainda aguardam a plena comunhão com Deus, oferecendo-lhes consolo e esperança:
“É coisa santa e salutar rezar pelos mortos, para que sejam livres de seus pecados.” (2Mc 12,46)
Assim, a oração se torna ponte entre o tempo e a eternidade.
Em cada prece sincera, o céu se une à terra.
Em cada lembrança dos que amamos, a esperança vence a saudade.
Em cada súplica silenciosa, o Espírito Santo age, transformando dor em fé, ausência em comunhão.
Que nossa oração, unida à dos santos, seja firme, confiante e cheia de amor. E que um dia, pela misericórdia de Deus, nos encontremos todos na alegria eterna, onde já não haverá lágrimas nem distância — apenas o louvor sem fim, na presença d’Aquele que é o Amor.









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