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Herodes buscava ver Jesus, mas não o encontrou

De pouco nos adiantaria ver Jesus com os olhos da carne, se não O pudéssemos ver com os olhos da fé.

A leitura nos apresenta a inquietação de Herodes: “Eu mandei degolar João. Quem é esse homem, sobre quem ouço falar essas coisas?” (Lc 9,9)

Herodes procurava ver Jesus. Mas sua busca não era sincera. Não era sede de verdade, mas curiosidade vazia, movida por interesse e medo de perder poder.

Ele ouvia João Batista com prazer, mas não com o coração aberto: “Herodes temia João, sabendo que era um homem justo e santo, e o guardava seguro; e, ouvindo-o, fazia muitas coisas, e de boa mente o ouvia.” (Mc 6,20)

Contudo, quando a verdade atingiu sua vida pessoal — a denúncia de seu pecado — preferiu prender o profeta. Não matou João por convicção, mas por medo da reação popular. E, quando pressionado por Herodíades, entregou-o à morte, ainda que “ficasse triste” (Mt 14,9). Era um afeto superficial, sem compromisso.

Mais tarde, diante de Jesus, Herodes repetiu o mesmo movimento: “Quando Herodes viu Jesus, alegrou-se muito; pois havia muito que desejava vê-lo, por ter ouvido dele muitas coisas, e esperava que lhe fizesse algum milagre. E interrogou-o com muitas palavras, mas ele nada lhe respondeu.” (Lc 23,8-9)

Herodes alegrou-se como quem vê um espetáculo. Jesus, porém, conhecendo seu coração, permaneceu em silêncio. O Filho de Deus não se revela à mera curiosidade, mas somente à fé sincera.

Herodes tinha poder de decisão, tinha autoridade de julgamento, mas preferiu a indiferença: “Herodes, com os seus soldados, desprezou-o; e, escarnecendo dele, vestiu-o com uma roupa resplandecente, e enviou-o de volta a Pilatos.” (Lc 23,11)

Não basta “ver” Jesus exteriormente. É preciso abrir os olhos da fé. Como diz São Paulo: “Andamos pela fé, e não pela visão.” (2Cor 5,7)

Se quisermos realmente encontrar Cristo, precisamos deixar de lado a curiosidade rasa e a indiferença, e assumir a conversão. É necessário morrer para as nossas paixões e caprichos, como a semente que cai na terra e morre para dar fruto (cf. Jo 12,24).

Jesus continua se calando diante dos corações fechados, mas se revela com abundância àqueles que O buscam com sinceridade.

Que não sejamos como Herodes, cegos que não querem ver, mas como o cego de Jericó que clamou com fé: “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!” (Lc 18,38)

E assim, veremos o Senhor tal qual Ele é: crucificado por amor a nós, chamando-nos à transformação interior, para que Nele demos fruto abundante.

No Eco da Palavra, buscamos refletir sobre os detalhes das leituras diárias que podem passar despercebidos nas homilias. Cada versículo tem uma riqueza infinita, e aqui, ecoamos essas pequenas grandes revelações para alimentar a fé e aprofundar a vivência da Palavra de Deus no dia a dia.